terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

BB Seguros avança no mercado dos corretores

A notícia de uma provável reestruturação da área de seguros do Banco do Brasil, noticiada por Exame em 06.02.2009 e ratificada no Portal Exame em 10.02.2009 deveria ser no mínimo preocupante para a classe dos corretores de seguros, por dois motivos: o primeiro seria a forma como se distribui seguros nas empresas do grupo, ou seja prioritariamente em agências por funcionários do Banco do Brasil, sem a participação de corretores de seguros nas operações per si, apenas protocolarmente assinadas por um corretor de seguros responsável para dar suposta legalidade à operação de monopólio. A exclusão dos demais corretores representa dumping, tendo em vista a desoneração com relação à corretagem e prática de preços inferiores em decorrência deste fato, além da utilização de instalações e funcionários do BB.
O segundo seria a leniência dos órgãos representativos de classe dos coretores de seguros que foram coniventes com uma saída questionável encontrada pelo jurídico do banco anos atrás, que foi tornar os funcionários do banco, prepostos do seu corretor. Isto representou para as entidades classistas uma substancial soma de taxas cobradas para o credenciamento desses bancários como prepostos, salvo melhor juízo, ilegalmente.
Ocorre que não há notícias da inscrição da BB Corretora de Seguros em todos os municípios e nem mesmo do recolhimento de impostos nos mesmos como dispõe a lei.
O Decreto Lei 73/66, impede que corretores de seguros mantenham relação de trabalho com as seguradoras e sendo seus prepostos extensão de sua personalidade e considerando o grupo econômico do Banco do Brasil, seus funcionários estariam impedidos de exercer o cargo de prepostos.
Não bastasse isso é recorrente a reclamação de bancários que são obrigados a cumprir metas de seguros como condição até de permanencia no trabalho e para crescimento profissional em sua carreira, o que configura a atuação em grupo econômico. Ademais os acordos de exploração de agências bancárias a ratificam.
Neste contexto, os corretores de seguros estão desassistidos com um poderoso grupo econômico ávido por aumentar seus lucros declaradamente e por outro lado uma organização sindical silente quanto ao fato.
Cabe na defesa dos direitos difusos e coletivos dos envolvidos, inclusive aí o do consumidor sem a assistência de um corretor que efetivamente esteja comprometido com a defesa dos seus interesses e não uma empresa do grupo que mantém um corretor de aluguel à seu dispor e interesse, que o Ministério Público Federal acompanhe esta iniciativa de invasão do mercado em relação as leis de concorrência, do consumidor e práticas contra a economia.
Estamos representando nesta data para que seja objeto de acompanhamento devido do Ministério Público e ao mesmo tempo esperando que uma possível seguradora parceira se manifeste ao convite feito pelo BB , para que possamos avaliar a possibilidade de boicote a esta parceira caso venha a continuar as operações excludentes dos demais corretores de seguros.
Luis Stefano Grigolin
Corretor de seguros, consultor em T.I, jornalista, suplente de deputado federal e vereador pela cidade de São Paulo na atual legislatura e candidato à presidência do Sincor-SP.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Perspectivas do mercado segurador em 2009

Uma das questões mais relevantes do mercado segurador, neste ano que se inicia, será o market share das principais companhias de seguros.
O estreitamento da concorrência entre não mais que dez grupos desencadeiará uma feroz busca por participação de mercado, que se dará de forma tradicional, por fusões, aquisições e de forma mais moderada, por busca de novos mercados e canais alternativos. Competição não é a virtude deste mercado oligopolizado.
A não tão surpreendente saída de milhares de corretores do mercado de seguros, identificada no recadastramento obrigatório, vai propiciar um melhor mapeamento e interação da índústria de seguros com a distribuição. O grande problema é a concentração das operações por escala, fomentada de forma perversa pelas seguradoras e que inviabiliza a maioria destes profissionais, representando um grande problema de longo prazo, uma vez que o desistímulo financeiro e operacional tende a cada vez mais reduzir este canal de distribuição, consequentemente a capilarização.
Na ponta do consumo, os clientes podem esperar um aumento substancial nas cotações de seus seguros, tanto pelo aumento da sinistralidade, como pela perda de eficiência do setor, aliado ao fato que a situação de crise mundial, que o país deve sentir com mais clareza já nos primeiros dias do ano, deve afetar a disposição de investimento no setor, que acompanha o desempenho econômico, portanto, esperando-se um decréscimo nas operações de modo geral e desistimulando investimentos estruturais. Demissões na indústria de seguros serão inevitáveis.
Com crescimento nos últimos anos bem acima dos outros segmentos, o mercado de seguros sentirá uma forte retração ao longo dos próximos dois anos e demandará uma regulação mais eficiente nas relações de consumo, tanto na precificação quanto no atendimento, que vem deixando a desejar, dado o alto número de ações na justiça e demandas nos órgãos de consumo.
Um ano que vai requerer reestruturação, reposicionamento e muito trabalho para os profissionais das seguradoras e corretores de seguros que no mercado permanecerem.
Luis Stefano Grigolin

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A função social da Ancoras Brasil

Os corretores e agentes de seguros necessitam de um organismo que possa de forma independente, isenta e fundamentada na decisão de maioria, interpor resistência à dominação do mercado, notadamente da comercialização de seguros, por seguradoras e corretoras de seguros não comprometidas com o futuro da nossa categoria.

A estrutura convencional de representação de classe pelos meios sindicais está inoperante e ligada a estrutura patronal dos seguradores, de forma a descaracterizar a defesa institucional da classe, que deve ser independente, não obstante convergente nos aspectos macros. Não naqueles fundamentais à nossa sobrevivência enquanto categoria.

Como forma de resistência organizada à este estado de coisas que começa a fugir do controle, o que se indica é a atuação paralela nos interesses da defesa institucional e de associados comprometidos com os seus próprios negócios, frente a uma série de ilegalidades à qual estamos submetidos.

Além deste principal objetivo, a construção de intercâmbio e troca de conhecimentos, a organização de núcleos de desenvolvimento regionalizados, a constante atualização de conhecimentos de normas, processos e produtos, assim como o desenvolvimento de ferramentas de otimização no desempenho da profissão, completam o quadro de objetivos da sociedade.

A pluralidade e a transparência são elementos fundamentais na organização de qualquer sociedade, assim como os seus propósitos e a seriedade dos seus componentes quanto aos objetivos sociais.

Cria-se portanto uma via alternativa aos canais tradicionais de representatividade, tendo-se em mente que representatividade são os próprios integrantes da classe que determinan, através de sua participação e apoio. Quanto maior o engajamento, maior a nossa força.

Abre-se o caminho para uma nova luta sem os vícios inerentes ao sindicalismo brasileiro, tão conhecidos de todos, tão combatido e de tão resistente corporativismo de poucos!

Luis Stefano Grigolin

Convenção Coletiva de Consumo